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Alcolumbre usa gabinetes e apartamentos funcionais para ficar no cargo
Carlos Moura
Política

Alcolumbre usa gabinetes e apartamentos funcionais para ficar no cargo

Por Paula Soares

Senadores eleitos dizem que presidente do Senado centralizou distribuição dos espaços e associa escolha a apoio na eleição interna.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), centralizou a definição dos gabinetes e apartamentos funcionais destinados aos parlamentares que tomarão posse em fevereiro de 2027 e passou a controlar pessoalmente as tratativas sobre os espaços em meio à articulação para permanecer no comando da Casa.

O Antagonista confirmou, com senadores eleitos ouvidos sob reserva, que as decisões sobre gabinetes e imóveis funcionais foram concentradas em Alcolumbre justamente no momento em que o atual presidente busca votos para sua recondução.

Logo após a eleição, um dos parlamentares pediu à sua equipe que procurasse a administração do Senado para saber qual gabinete teria à disposição no próximo ano. Segundo seu relato, foi informado de que a decisão estava nas mãos de Alcolumbre.

Dias depois, a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, responsável pela administração da Casa, telefonou diretamente para o senador eleito. De acordo com ele, Ilana disse que deveria procurar Alcolumbre para tratar da definição do gabinete e observou que era um dos únicos que ainda não havia feito o contato.

O parlamentar recusou. Disse ter uma relação política ruim com o presidente do Senado, não pretender apoiá-lo na eleição interna e enfrentar, desde então, dificuldades para resolver a questão.

“Ele vai prestigiar aqueles que se comprometeram a votar nele”, afirmou a O Antagonista.

O senador relatou que, ao saber que Alcolumbre havia assumido pessoalmente as definições, decidiu não procurá-lo justamente por rejeitar qualquer aproximação vinculada à disputa pelo comando da Casa.

“Para mim, ele é um péssimo presidente. Eu não vou votar nele nem que ele me desse um milhão de reais”, disse.

“Não vou falar com ele”

Outro senador eleito também foi informado de que teria de tratar diretamente com Alcolumbre sobre os espaços a que terá direito a partir do próximo ano e decidiu não procurá-lo.

Para o parlamentar, todos os integrantes da Casa terão necessariamente gabinete e estrutura para exercer o mandato e, por isso, ele não vê motivo para abrir uma negociação individual com o presidente do Senado.

“Fui informado e já falei que não vou falar com ele”, afirmou.

Segundo o senador, evitar o contato também é uma forma de impedir que a definição dos espaços abra margem para uma conversa sobre seu voto na eleição para a Presidência da Casa.

“Todo senador tem um gabinete e todo senador vai ter um gabinete lá, então não vou falar com ele nem conversar com ele a respeito disso”, disse.

Na sequência, acrescentou: “Capaz de ele pedir o voto: ‘Te dou um gabinete se você votar em mim para presidente’”.

O parlamentar não afirmou ter recebido diretamente de Alcolumbre uma oferta de gabinete ou apartamento funcional em troca de voto. O relato mostra, porém, que a concentração dessas decisões nas mãos do presidente do Senado passou a ser associada, entre parlamentares eleitos, à disputa pelo comando da Casa.

Alcolumbre tenta se manter à frente do Senado no próximo biênio e articula apoio entre os parlamentares que integrarão a nova composição da Casa. A eleição para presidente do Senado ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura.