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O Resgate do Futuro: do Orçamento ao Projeto de País
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O Resgate do Futuro: do Orçamento ao Projeto de País

Por Laura Mendes

Por Fernando Dueire

Senador da República por Pernambuco

Os governantes que assumirão — ou renovarão — seus mandatos a partir de 2027 terão pela frente um dos cenários mais complexos da nossa história recente. Presidente, governadores em primeiro mandato e aqueles que seguirão à frente de seus estados por mais uma gestão enfrentarão um mundo fragmentado por tensões geopolíticas, conflitos armados e uma economia global instável. São tempos ásperos, que redobram os deveres e as responsabilidades de quem se propõe a liderar.

No plano interno, a situação exige mais do que retórica: o nível de endividamento do Estado brasileiro e das famílias alcança patamares críticos. Quando o cidadão comum compromete boa parte de sua renda apenas para rolar dívidas e o poder público se vê asfixiado pelo peso dos juros e dos gastos obrigatórios, a margem de manobra para o desenvolvimento desaparece.

Essa paralisia não é obra do acaso, mas sim o resultado de uma escolha histórica perigosa. O Brasil há muito tempo abandonou a cultura do planejamento estratégico de longo prazo. É profundamente prejudicial quando perdemos o condão da previsibilidade. Na sua falta, chega à insegurança e a consequente falta de confiança que inibe o investimento, confunde a matriz de vetores e desanima a todos. Sem horizontes claros, os órgãos competentes que outrora pensavam o país para as próximas décadas perderam protagonismo; ou desapareceram da estrutura burocrática ou tiveram seus espaços severamente estreitados, limitando-se a gerenciar o orçamento pelas necessidades de ocasião. Tornamo-nos reféns de uma visão imediatista, focada apenas em fechar as contas de períodos curtos, enquanto os grandes gargalos estruturais permanecem intocados.

Precisamos, de forma urgente, de um verdadeiro projeto de país. Atualmente, a nação purga com dores profundas e prejuízos imensuráveis decorrentes da desconstrução e do enfraquecimento de suas instituições. Vivemos tempos tristes e paradoxais, onde os valores fundamentais da gestão pública e a busca pelo bem comum parecem sufocados por interesses menores - um cenário onde a virtude, lamentavelmente, precisa pedir licença ao vício.

Esse diagnóstico sombrio não deve ser um convite à inércia, mas sim um chamado à ação. Podemos e devemos inaugurar um tempo de esperança, pois muito ainda pode ser feito para reverter esse quadro. O ponto de partida para essa reconstrução exige recolocar no topo da pauta nacional os debates sobre o pacto federativo. É preciso descentralizar recursos, dar autonomia real a estados e municípios e repensar quem arrecada e quem executa as políticas públicas. Somente equilibrando as forças da nossa federação e resgatando a capacidade de planejar o amanhã conseguiremos devolver ao Brasil a estabilidade, a dignidade e o rumo que a nossa população tanto necessita.