Encontros com aliados políticos, declarações de apoio a candidatos a deputado estadual e federal, e uma saraivada de críticas ao cenário nacional. Foi assim a primeira visita a Pernambuco - no período oficial de campanha - do senador Flávio Bolsonaro, nome do PL à Presidência da República nas eleições de 2026.
Em solo recifense, Flávio pediu maior mobilização da militância para ampliar a presença no interior do estado e delegou responsabilidades a lideranças locais. Ciente da possibilidade de criar desgastes e dividir a oposição a Lula (PT) no estado natal do petista, evitou apoiar publicamente um candidato ao Governo de Pernambuco, tendo se reduzido a garantir, caso venha a subir a rampa do Palácio do Planalto em 2027, a manutenção de um diálogo institucional com o próximo gestor.
As falas de aparente neutralidade mudaram quando fez questão de pedir votos para a candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado. Flávio enalteceu a trajetória política do aliado, destacando a coerência ideológica do deputado federal e o alinhamento com pautas caras ao eleitorado conservador e de direita. Entretanto, foram às críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o filho de Jair Bolsonaro (PL) dedicou boa parte de seu discurso.
Flávio subiu o tom contra decisões e integrantes da corte, especialmente os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, e afirmou que uma eventual eleição permitiria ao futuro presidente indicar novos ministros para o tribunal. Houve ainda espaço para duras críticas ao presidente Lula, quando associou a disputa eleitoral às futuras indicações para o Supremo.
O que se viu, ao final, foi um Bolsonaro menos figadal e mais centrado em uma narrativa sóbria, com capacidade para ampliar o diálogo com setores para além da direita. Resta saber se trata-se de uma mudança de consciência ou estratégia eleitoral para captação de votos. A menos de 20 dias do primeiro turno, a única verdade absoluta é que não há mais margem para erros.
Apoios - Em entrevista à Rádio Filadelfia FM, o ex-prefeito de Taquaritinga do Norte, Ivanildo Lero, reforçou o seu apoio à reeleição do deputado estadual Diogo Moraes e à candidatura de Juliana de Chaparral à Câmara Federal. Segundo ele, o fato de Juliana ter sido prefeita de Casinhas faz com que ela conheça bem as necessidades das cidades do interior. “Em Brasília ela será uma grande parceria, destinando emendas para Taquaritinga do Norte”.
O preferido de Mendonça - O empresário de Santa Cruz do Capibaribe, Aguinaldo Xavier, se consolidou como o “candidato de Mendonça Filho e de Flávio Bolsonaro no Polo de Confecções”. Sua postura contundente, leal e sincera fez com que Mendonça abraçasse definitivamente o seu projeto eleitoral, que já é visto como um dos mais sólidos do interior de Pernambuco.
Normal - Em entrevista à Rede Pernambuco de Rádios, o vereador Deomedes Brito afirmou que vê com naturalidade o fato de o seu grupo, o Taboquinhas, ter dois candidatos a deputado estadual: Diogo Moraes e Fábio Aragão. “Vejo isso como algo comum. O importante é o grupo estar unido em 2028, na próxima eleição municipal”.
Voto a voto - Uma eleição acirrada, disputada voto a voto. Esse foi o cenário exposto pelo Instituto DataTrends em pesquisa divulgada na manhã desta quarta-feira que aferiu o cenário da disputa pela Presidência da República. Segundo a pesquisa, se a eleição fosse hoje, o presidente Lula teria 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro teria 35%. Já no segundo turno, Flávio aparece com 45% e o presidente Lula com 44%.
Guerra - Em agenda de campanha no Recife, Flávio Bolsonaro, candidato a presidente, voltou a repetir o discurso de endurecimento da repressão ao crime organizado. “Eu vou ser radical na segurança pública sim. A partir de janeiro vou declarar guerra às organizações criminosas”, disse.
Otimismo - Durante o mesmo evento, Anderson Ferreira, candidato a deputado federal e presidente do PL em Pernambuco, analisou com otimismo o cenário do partido para as eleições no estado: “Nós obtivemos um grande resultado na eleição passada e este ano não será diferente”, disse.
Indicações - O presidente Lula declarou que não tem responsabilidade pelas indicações de Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração nesta quarta-feira (16), o petista lembrou que nenhum dos três ministros foi escolhido durante seus mandatos e atribuiu as decisões aos presidentes que estavam no cargo. Lula também afirmou que defende que qualquer irregularidade deve ser investigada.