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Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor
Antônio Campos

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor


No dia 23 de abril, comemora-se o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, data oficializada pela UNESCO, em 1996, e que é festejada em mais de 100 países.


Essa é a data da morte de Shakespeare e Cervantes, dois gênios literários. A Espanha, desde 1926, já celebrava nessa data o Dia do Livro. Na região espanhola da Catalunha, é o Dia de São Jorge, da rosa e do livro: o dia do padroeiro, do amor e da cultura. As mulheres recebem flores dos homens e retribuem presenteando-os com livros.

 

O livro é o conteúdo, o que muda são as plataformas. O livro já foi pedra, papiro, pergaminho, entre outros formatos. O presente e o futuro são digitais. Contudo, os formatos físico e digitais vão conviver por muito tempo, cada um no seu nicho. Segundo Jorge Luis Borges, o livro é a extensão da memória e da imaginação. Digo que o livro é o maior amigo do homem. O livro é um elemento civilizador. A leitura de um livro tem que ser um ato de prazer.

 

Uma das tendências do contemporâneo é da autopublicação, através de plataformas na internet, para fugir da ditadura do mercado, com o mote que livro bom é aquele que vende. As redes sociais têm sido uma forte propulsora do marketing dos livros e autores, inclusive impulsionando as vendas dos livros físicos. Primeiro, ficar conhecido nas redes, para depois acelerar as vendas das obras digitais e físicas, é uma estratégia adotada por alguns.

 

O livro virou rede e as bibliotecas estão nas nuvens. A aprendizagem virou jogo. Na era digital, conforme já dito, o autor pode ser o seu editor.

 

Outro importante instrumento são os prêmios literários, que destacam os autores e aceleram as vendas. As Academias têm tido um importante papel na preservação da cultura, da leitura e da tradição literária.

De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2019, do Instituto Pró-Livro, 44% da população brasileira não lê, 30% nunca comprou um livro e a média de obras lidas por pessoas no país é de 4,96. Precisamos melhorar esses índices. Formar leitores é ajudar a fortalecer a democracia.

 

O livro é uma forma de resistência e reexistência numa globalização que trouxe mais solidão e exclusão social. Precisamos de mais livros e menos armas. O livro atravessou eras de guerras e perseguições e saiu fortalecido. Nesta época de incertezas, de uma nova pandemia, dessa vez, de identidade e do psicológico humano, a cultura e o livro são os instrumentos para que mantenhamos os valores básicos do homem acima dos conflitos, preservando a humanização.

 

No dia 23 de abril, seguindo a tradição de 15 anos, estarei dando uma palestra sobre o Livro na Era Digital e o mercado livreiro nesse momento atual.

 

Recife/Olinda, abril de 2023. Antônio Campos


Advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da Associação Brasileira de Imprensa – ABI