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Flávio diz que usará maioria no Congresso para mudar Constituição
Marcelo Ferreira
Eleições

Flávio diz que usará maioria no Congresso para mudar Constituição

Por Vitória Virgínia

Goiânia — O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (PL), ressaltou a expressiva eleição de parlamentares de direita, no domingo, e, sem dar detalhes, disse que usará essa maioria no Congresso para mudar a Constituição. Também falou em colocar aliados na Presidência do Senado e da Câmara. As declarações ocorreram em Goiânia, onde ele recebeu apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), derrotado na corrida pelo Palácio do Planalto. O senador também garantiu, nessa terça-feira, o respaldo do PP e do União Brasil para a disputa do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje, com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", enfatizou.

O partido de Flávio elegeu 121 deputados federais neste pleito. Para o Senado, foram 19 — a bancada chegará a 28, somando os que estão com mandato atualmente.

Apesar de Flávio não mencionar seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), políticos presentes ao evento tomaram como certa a indicação dele para à Presidência do Senado. "Marinho estará, sem dúvida, assumindo a Presidência do Senado. Está pronto para fazer as mudanças que o Brasil clama", disse Caiado.

A campanha avançou, nessa terça-feira, nas alianças com o Centrão. Além do apoio de Caiado, a federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP) anunciou que estará com o presidenciável — a oficialização está prevista para hoje. Na segunda-feira, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), derrotado na disputa pela Presidência, também fechou com o senador.

A mudança de posicionamento dos partidos ocorre após Flávio ter vencido a disputa no primeiro turno, alcançando 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Antes da primeira etapa do pleito, quando o petista aparecia na liderança nas pesquisas, União e PP optaram por se manter neutros e não prejudicar os palanques estaduais.

Flávio também recebeu apoio do atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e de prefeitos e parlamentares eleitos na região. No evento em Goiânia, esteve também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Ao declarar apoio ao presidenciável, Caiado prometeu que entrará de "corpo inteiro" na campanha, para que o estado garanta a maior vitória do candidato neste segundo turno. "Proporcionalmente, Goiás vai dar maior vitória a Flávio bolsonaro nesta eleição. Mobilização vai ser em tempo integral (…) Eu queria ser presidente, você ganhou e está no segundo turno. Eu vou entrar com você de corpo inteiro", comprometeu-se.

O partido de Caiado, no entanto, optou pela neutralidade nesta reta final de eleição. Em nota, no domingo, após a apuração das urnas, o PSD anunciou que não apoiaria nenhum dos presidenciáveis e liberou os diretórios estaduais para privilegiarem suas alianças locais.

Vilela fez discurso semelhante ao de Caiado. Disse ter convicção de que "chegou ao fim a era do PT" e prometeu atuar na campanha do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Saiba que esse grupo estará de corpo e alma dedicado ao seu lado nas próximas semanas para ampliar sua votação no estado", destacou.

Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,18% dos votos, mas teve desempenho mais expressivo em Goiás, seu reduto político. No estado, recebeu 12,33% dos votos, enquanto Flávio chegou a 53,60%, contra 31,06% de Lula.

"Ministro"

Tarcísio também discursou e afirmou que "fará de tudo" para aumentar os votos a Flávio em São Paulo. Além de participar de agendas eleitorais, ele tem atuado nas conversas com partidos e lideranças que ainda precisam definir posição no segundo turno. "Eleitores de Caiado e Flávio unidos no Brasil inteiro para derrotar o PT", ressaltou.

Aos gritos, apoiadores na plateia pediram que Flávio anunciasse Caiado como seu ministro da Segurança Pública. Flávio, Caiado e Vilela responderam com cautela, sinalizando que essa não foi uma condição para o apoio. "Nosso grupo político não trabalha dessa forma, estamos aqui por convicção", disse Vilela. "Esse apoio é mais que política, é sentimental. Temos vários pontos convergentes", acrescentou o presidenciável.

Flávio defendeu um combate duro contra o crime organizado e prometeu a construção de meio milhão de presídios e aumento de pena de faccionados, que pretende declarar como terroristas. "Se tem uma coisa que vamos fazer é arregaçar com vagabundo", frisou. Ainda prometeu "tesouraço nos direitos de vagabundos", redução da maioridade penal e punições para agressores de mulheres.

Ele pediu que a população se mantenha mobilizada. "Não deixem de ir votar no dia 25. Vamos vencer com um placar histórico." Com informações do Correio Braziliense.