Brasil e EUA se reúnem, mas negociações terminam sem avanços sobre o tarifaço
Por Vitória Virgínia
As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos continuam empacadas. Representantes dos dois governos se reuniram nesta quarta-feira (30), em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin, mas o encontro terminou sem qualquer acordo para reduzir as tarifas impostas por Washington aos produtos brasileiros.
Segundo apuração da coluna, as conversas foram muito difíceis, e os Estados Unidos seguem irredutíveis em relação às exigências apresentadas ao Brasil.
O resultado concreto da reunião ficou limitado à criação de um novo grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial. Em outras palavras, os dois países concordaram em continuar negociando, mas não conseguiram chegar a um entendimento sobre as tarifas.
O encontro durou cerca de 40 minutos e reuniu o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Washington mantém exigências
Do lado americano, a posição é de que o Brasil ainda precisa responder a uma série de questionamentos comerciais. Washington cobra mudanças em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.
Essas questões fazem parte de uma investigação comercial conduzida pelo governo americano e ajudam a explicar as divergências que permanecem entre os dois países.
O Brasil tenta conseguir a retirada integral das sobretaxas, mas não houve qualquer concessão anunciada pelo governo americano durante a reunião desta semana.
Discurso diplomático, mas nenhum avanço concreto
O comunicado oficial brasileiro adotou um tom diplomático e destacou a disposição dos dois países de buscar um entendimento. Na prática, porém, as tarifas continuam em vigor, e não existe um prazo definido para sua redução.
O próximo passo depende dos Estados Unidos. Washington se comprometeu a apresentar, nas próximas semanas, um documento com os temas que poderão entrar na pauta das novas negociações, incluindo questões tarifárias e não tarifárias.
A reunião foi um desdobramento da conversa telefônica entre os presidentes Lula e Donald Trump, em agosto, e de outros contatos entre representantes dos dois governos. Até agora, no entanto, a retomada do diálogo não se traduziu em alívio para os exportadores brasileiros.
Apesar da disposição pública de manter as conversas, o encontro evidenciou a distância que ainda separa os dois governos de um possível acordo comercial.
O Brasil saiu da reunião sem a redução das tarifas que buscava, enquanto os Estados Unidos mantiveram suas exigências e não anunciaram qualquer flexibilização.
O único avanço foi a decisão de realizar uma nova rodada de negociações. Por enquanto, as sobretaxas continuam sendo cobradas, sem previsão de quando poderão ser revistas. Com informações da Jovem Pan.