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Partidos querem recuperar relevância com virada digital
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Partidos querem recuperar relevância com virada digital

Por Adriana Ferraz e Fernanda Boldrin, do Estadão


A oito meses das eleições municipais, partidos ampliam o investimento em cursos de formação política online em busca de candidatos interessados em se lançar em outubro. A "virada digital" também tem como meta colateral a tentativa, por parte das legendas, de recuperar sua relevância no debate nacional, de fugir da pecha da velha política e de servir como ferramenta para atrair jovens.


Os cursos, gratuitos, abordam desde temas mais tradicionais, como quais são as atribuições de um vereador, legislação eleitoral e maneiras de prestar contas, até a construção de marca pessoal e combate a fake news. Há módulos que ensinam a gerir redes sociais, a usar mídia paga e a monitorar, por meio de métricas, a audiência e o engajamento de postagens nas redes sociais.


A estratégia dos partidos é semelhante à adotada pelos grupos cívicos ou de renovação política, apoiados pelo apresentador de TV Luciano Huck, eventual candidato à Presidência em 2022 que, assim como o presidente Jair Bolsonaro, não está filiado a nenhuma sigla.


Após o racha provocado pela desfiliação de Bolsonaro, o PSL - sigla que recebeu o maior número de votos para a Câmara - foca, por exemplo, na elaboração de um programa 100% digital para capacitar novos quadros e gerir campanhas. Legendas mais tradicionais, como PT, MDB, PDT, PSD e Cidadania, também planejam novidades com a criação ou incremento de suas ferramentas de ensino e interação a distância. Com o atual descrédito dos partidos, muitos envolvidos em escândalos de corrupção, as formas de filiação praticadas anteriormente, seja nas portas de fábrica ou nos grêmios estudantis, foram, aos poucos, deixadas de lado.