Data Trends
Alepe promove audiência pública para debater impactos da Reforma Administrativa nesta segunda (15)
Divulgação
Reforma Administrativa

Alepe promove audiência pública para debater impactos da Reforma Administrativa nesta segunda (15)

Por Redação

A Assembleia Legislativa de Pernambuco realiza nesta segunda-feira (15), às 10h, uma audiência pública para discutir os impactos da Reforma Administrativa (PEC 38/2025). O encontro será no Auditório Senador Ênio Guerra e foi proposto pelo deputado João Paulo (PT) à Comissão de Administração Pública da Alepe. O evento conta com apoio do Sindilegis, sindicato que representa os servidores do Poder Legislativo Estadual, e do deputado federal Carlos Veras (PT-PE).

A proposta de Reforma Administrativa em debate, apresentada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados, promete “modernizar o Estado” e “combater privilégios”. No entanto, especialistas, entidades sindicais e parlamentares têm apontado que a PEC promove mudanças profundas no serviço público, incluindo novas formas de contratação, ameaça à estabilidade e padronização de tabelas remuneratórias.

Para o deputado João Paulo, a audiência será fundamental para ampliar o debate e garantir que a sociedade compreenda o alcance das mudanças. O parlamentar afirma que a PEC representa um retrocesso profundo para o serviço público, para os servidores e para a população. “Em vez de fortalecer o Estado, a PEC 38/2025 busca submetê-lo a uma lógica empresarial: metas, bônus por produtividade, vínculos precários, avaliação de desempenho — e o fim da estabilidade e das carreiras estruturadas”, critica. “Isso não é modernização: é desmonte.”

A retirada da estabilidade — tratada na proposta como parte da flexibilização de vínculos funcionais — ameaça a independência do servidor diante de pressões políticas e mudanças de gestão. “A estabilidade não é um privilégio: é garantia de que o servidor possa atuar com independência, longe da pressão política. Ao retirar esse pilar, transformam cada servidor em refém de quem estiver no poder”, afirma o deputado.

Outro ponto considerado crítico pelas entidades dos servidores é a criação de uma tabela remuneratória única para União, estados e municípios, o que desconsidera desigualdades regionais e viola o pacto federativo. Em governos locais com dificuldades orçamentárias, a padronização pode significar redução salarial, congelamentos e restrições a concursos públicos.

Os sindicatos também alertam para o risco de precarização do serviço público. A PEC amplia possibilidades de contratos temporários, terceirizações e vínculos de curta duração, o que pode comprometer áreas essenciais como saúde, educação e assistência social. Além dos impactos diretos sobre servidores e sobre o funcionamento do Estado, a proposta foi elaborada sem transparência, conforme afirmam entidades sindicais de todo o País.

Segundo o deputado federal Carlos Veras (PT-PE), a Reforma Administrativa representa um ataque direto à população que depende dos serviços públicos. “A Reforma Administrativa ataca justamente quem garante o acesso da população aos seus direitos, como a saúde, a educação e serviços que promovem desenvolvimento e inclusão social”, observa o parlamentar. “Estou na luta, ao lado dos servidores e de quem mais precisa, na defesa de seus direitos”, afirma Carlos Veras.

A audiência vai reunir servidores, sindicalistas, especialistas, representantes do Sindilegis e parlamentares, oferecendo um espaço amplo de discussão sobre os riscos e consequências da proposta que tramita no Congresso Nacional.