Galípolo justifica estouro da meta de inflação e projeta queda em 2026
Por Roberto Oliveira
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, encaminhou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, uma justificativa sobre o não cumprimento da meta de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O envio da carta é uma exigência legal sempre que a meta é ultrapassada.
No documento, o BC reforça seu compromisso em trazer a inflação, atualmente em 5,35%, de volta ao centro da meta, e aponta que houve “surpresas” em alguns componentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como os preços administrados e a alimentação no domicílio.
“O aumento dos preços administrados superou as expectativas, principalmente por conta da energia elétrica residencial, impactada pela piora nas condições hídricas. Essa surpresa, no entanto, foi compensada por uma variação mais baixa que a esperada nos preços da alimentação no domicílio”, diz o documento.
O texto prossegue informando que a inflação registrada em dezembro, janeiro e fevereiro subiu cerca de 0,32 ponto percentual acima do previsto. Também houve aumentos significativos nos preços da gasolina, serviços, alimentos industrializados — como o café — e nos bens industriais, com destaque para os automóveis.
Galípolo também destacou que a chamada “inflação importada” respondeu por 0,46 ponto percentual do desvio da meta no último ano. “Os efeitos defasados da valorização do dólar ao longo de 2024 ainda tiveram forte influência sobre os índices de inflação no segundo trimestre de 2025, principalmente nos preços de bens industriais e alimentos industrializados. Em contrapartida, a queda nos preços do petróleo ajudou a conter a alta nos combustíveis”, explicou o presidente do BC.
Com informações do portal Metrópoles.