Um desenho preliminar de 2022
Quem gosta e acompanha o cenário político no Brasil sabe que assim que termina uma eleição, já se começam as articulações nos bastidores para a próxima. Em Pernambuco o desenho pra 2022 já começou a ser feito. Dificilmente surgirá um nome fora do trio Miguel, Raquel e Anderson para encarar a disputa pelo governo do estado no campo das oposições contra o nome do PSB, que tudo indica será Geraldo Júlio.
Para a Câmara dos Deputados, é possível que haja alguma mudança na composição da bancada pernambucana. Algumas das surpresas de 2018, poderão ficar pelo meio do caminho, enquanto outras certamente estarão consolidadas pelo trabalho que vem sendo desempenhado até aqui.
Os estreantes da bancada é que movimentam a bolsa de apostas nesse primeiro momento. Marília Arraes e Carlos Veras, do PT, tem situação confortável pela estrutura de militância do partido. Já Túlio Gadelha, do PDT, que protagonizou o maior vexame de 2020 no Recife, é uma incógnita. Seu namoro com a apresentadora global e o apelo de mídia que ela fez durante a campanha não deverá ter muita influência, já que não é fato novo e até agora a única impressão que o deputado conseguiu deixar foi a sua defesa pelo polêmico projeto que ficou batizado como “Poliamor”. Na prática, dizem deputados contrários à ideia, seria autorização na legislação para o incesto.
João Campos, fenômeno de votos em 2018 estará fora da disputa por ter assumido a prefeitura do Recife, no entanto, seu irmão Pedro não deverá repetir a votação do primogênito de Eduardo Campos.
Fernando Rodolfo, eleito sem ter apoio político e sem recursos financeiros, caminha pra uma reeleição tranquila. Está num partido forte, tem a simpatia das lideranças nacionais do PL, até aqui tem mantido a coerência do discurso que o elegeu, é um deputado combativo na oposição ao governador Paulo Câmara e construiu uma boa base no agreste e em alguns municípios do sertão. Além disso, tem forte inserção com os professores do interior. Prova disso são suas publicações dirigidas a esse público nas redes sociais que alcançam números impressionantes. É uma forte liderança popular em Caruaru, maior colégio eleitoral do interior e tem coragem de leão pra enfrentar os velhos caciques da política no estado. Se continuar assim e não houver incidentes de percurso até a eleição, deverá figurar entre os mais votados.
Outro que estreiou em 2019 na Câmara dos Deputados, foi Silvio Costa Filho. Esse tem se destacado muito no interior e pela base construída, certamente continuará entre os mais votados. Silvio alcançou um protagonismo forte em Brasília na defesa das causas municipalistas e isso tem lhe rendido bons frutos.
André Ferreira, também estreante na Câmara, certamente será reeleito já que alcançou o coeficiente eleitoral sozinho em 2018 e de lá pra cá ampliou sua base eleitoral. É líder do seu partido, o PSC, e está entre os mais influentes da Casa. Tem ao seu lado o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, seu irmão Anderson Ferreira é uma fidelidade do público evangélico.
Luciano Bivar deverá mudar a estratégia de 18, se quiser passar por 22. Está claro que deve o seu mandato ao presidente Bolsonaro, uma vez que colou sua imagem nele e por isso atraiu a militância bolsonarista. Como se afastou do presidente, por tabela também se afastou do seu eleitorado. Mas é um homem inteligente, apesar de estar fazendo um mandato sem uma marca definida. Tem ao seu favor o peso de ser presidente de um partido que hoje é grande.
Renildo Calheiros, Raul Henry e Bispo Ossésio, que também se elegeram em 2018, são políticos de carreira. Cada um com suas militâncias definidas, também estão no jogo de 22.
Quanto aos veteranos, a briga vai se dá no campo das estruturas, já que o chamado voto de opinião pra muitos deles quase não soma. Poucas mudanças devem ocorrer nesse campo, mas certamente existirão.