Jaboatão
Ministro, o mérito é do amigo de Bolsonaro
Notícia

Ministro, o mérito é do amigo de Bolsonaro

Uma semana após o presidente Bolsonaro apontar o Turismo área referência em sua gestão, citando nominalmente o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, e não o ministro Marcelo Álvaro, já sinalizava que o Ministério, numa eventual mudança, seria entregue ao homem de sua absoluta confiança e da equipe, uma espécie de coringa: o mais do que inquieto Gilson Machado Neto.


Pernambucano de proa, com raízes econômicas nos Estados de Alagoas e Mato Grosso, Gilson é um dos raros integrantes do núcleo duro do Governo que diz o que pensa ao chefe na hora certa. Goza da intimidade com a família, de frequentar a casa do presidente e dos filhos Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro. Chega a passar fim de semana com Bolsonaro pescando em sua fazenda no Mato Grosso.


Gilson, que é sanfoneiro, tem uma banda, a Brucelose, atua na área de Turismo, dono de um hotel em Alagoas, e é um dos maiores produtores de coco do País, numa extensa fazenda em território alagoano, mesma área em que abriu uma charmosa e movimentada pousada.


Atua ainda na área de Comunicação, com duas emissoras de rádio, uma em Gravatá e outra em Maragogi, litoral sul alagoano. Gilson conheceu Bolsonaro quando o presidente exercia mandato de deputado federal. O encontro se deu no Aeroporto de Brasília. Ali, há mais de dez anos, Gilson lia jornal enquanto aguardava o seu voo para o Mato Grosso. Foi quando, curioso com uma manchete, Bolsonaro pediu a gentileza do empréstimo do jornal.


Entre uma leitura e outra, Bolsonaro foi se interessando pelo papo e dali surgiu uma amizade sólida. Tempos depois, o presidente estava em terras da fazenda de Gilson conhecendo seu plantel bovino e equino. De perfil ideológico semelhante, o agora ministro do Turismo comprou o projeto Bolsonaro presidente. Quando ninguém acreditava, ele profetizava que o amigo seria presidente da República.


Como jornalista em Brasília, entrevistei Bolsonaro deputado pela primeira vez por recomendação de Gilson Machado. Suas duas emissoras, na época integrantes da Rede Nordeste de Rádio, na qual ancoro o programa Frente a Frente, eram usadas frequentemente para difundir as ideias de Bolsonaro. Foi também pelo amigo pernambucano que Bolsonaro ingressou no PSL para disputar a Presidência da República. 


Neste dia, a filiação se deu no Recife e Gilson fez questão de Bolsonaro entrar no meu programa ao vivo. Gilson acabou assumindo um papel de grande propagador da candidatura Bolsonaro e um dos seus maiores entusiastas. Deu até pitacos na estratégia política e de marketing da campanha.


Eleito, Bolsonaro entregou a Embratur a Gilson, mas o que ele queria de verdade era oferecer o Ministério de Turismo, que acabou nas mãos de Marcelo por uma questão política e de gratidão. Foi Marcelo que socorreu Bolsonaro quando ele levou uma facada em Minas Gerais durante a campanha presidencial de 2018.


Gilson Machado, como assim passou a ser tratado pelo presidente, e não Neto, como é conhecido em Pernambuco, passa a substituir Marcelo por uma razão muito simples: além da amizade pessoal com o presidente, fez uma excelente gestão na Embratur e conhece o setor como ninguém, apesar da mídia nacional carimbá-lo, de forma preconceituosa, como um reles sanfoneiro. ( Do Blog de Magno Martins)