Minhas recordações de Eduardo Campos

Por Guilherme Rocha 


O ano era 2006 e o dia primeiro de outubro. Tinha eu 16 anos de idade e queria fazer valer o direito que estava assegurado pela Constituição de 1988. Aquele domingo de eleição foi muito especial pra mim. Algo me dizia que, a partir dali, a esperança começava a se renovar na política. A ansiedade me fez acordar bem mais cedo do que de costume. Na companhia dos meus pais e dos meus dois irmãos, chegamos ao Colégio São Luís, no Bairro das Graças, no Recife, meu local de votação. Votei em Eduardo Campos para Governador de Pernambuco, meu primeiro voto. Aquela eleição marcou minha adolescência e nunca mais saiu da minha memória. 


Poucos anos depois, mais precisamente no dia 27 de maio de 2010, estudante de Direito da Universidade Católica de Pernambuco, quis o destino que eu fosse fazer parte da equipe de oficiais de gabinete do Governador Eduardo Campos. E o que era para ser mais um cargo, virou uma escola, no sentido mais amplo que se pode imaginar. 


Primeiro, porque os momentos trabalhados com Eduardo foram comparáveis aos de um aluno para com um professor. Presenciar reuniões com ele eram verdadeiras aulas. Segundo, por causa da grande união que existia nos colegas de sua equipe no Palácio, seja na Chefia de Gabinete, nos oficiais de gabinete, nos ajudantes de ordens, no cerimonial, nos garçons. União esta causadora de uma empatia e felicidade que nos remetem a tempos de colégio. Uma época alegre, de boas memórias, grandes aprendizados e que não voltam mais.


Eduardo tinha prazer por ensinar e ensinou a cuidar do povo. Todos que o conheceram sabem que ele era um frasista. Nas suas famosas reuniões de monitoramento, ele repetia uma frase: “Vocês podem entender de tudo, mas de gente eu entendo.” E ele entendia mesmo. Sabia como lidar com o povo, como governar para o povo. Não foi à toa que construiu escolas e hospitais na Região Metropolitana e no interior do Estado, criou um revolucionário programa de intercâmbio para alunos de escolas públicas estudarem no exterior; trouxe empresas de porte para Suape e concluiu a vinda da Refinaria Abreu e Lima; incentivou a instalação de outros empreendimentos no Agreste, Sertão, litoral Norte e fechou as negociações pra vinda da fábrica da Jeep em Pernambuco, que foi inaugurada pelo governador Paulo Câmara ainda na sua primeira gestão.


E foi este professor que revolucionou a política brasileira e mudou a vida dos pernambucanos. Hoje, no momento que vivemos, onde o que mais precisamos é saber cuidar de gente, o Brasil sente falta deste professor.