Temer topa integrar Conselho de Notáveis de Bolsonaro
Na live pelo Instagram do blog do Magno Martins, o ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que se sentiria honrado em participar de um Conselho de Notáveis do Governo Bolsonaro, caso viesse a ser convidado pelo presidente. "Não sou nenhum notável, mas me sentiria muito feliz", disse ao ser provocado se aceitaria uma convocação do chefe da Nação. "Ninguém aconselha presidente. O que seria importante neste caso era discutir ideias e caminhos para o Brasil", afirmou.
À propósito, Temer revelou que chegou a tomar a iniciativa de ligar para o presidente, no início da pandemia, para dar um “palpite” sobre como conduzir o isolamento social e que foi muito bem atendido. Ressaltou que Bolsonaro tem sido moralmente justo com ele ao reconhecer o trabalho realizado nas mais diversas áreas da sua gestão, principalmente a econômica.
Sobre os bastidores que levaram ao impeachment de Dilma, o que permitiu sua chegada ao poder na condição de vice-presidente, Temer negou que tenha conspirado para derrubar a petista e salvou até a pele do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB). Segundo ele, Cunha chegou a garantir a Dilma que não colocaria o impeachment em pauta, mas mudou de postura depois que foi atacado fortemente pelos principais líderes do PT no Congresso. "Quem tem culpa pela cassação de Dilma é o PT que mais atrapalhou do que ajudou", afirmou.
E completou: "Nunca trabalhei pelo impeachment. Isso é uma falsidade. Ao contrário, tentei evitar. Um dia o Eduardo Cunha disse que arquivaria os pedidos, e que o PT o estava apoiando. Naquele dia havia reunião com os governadores. Fui à biblioteca e contei isso à Dilma. Mas no outro dia o PT fez críticas brutais ao presidente da Câmara e ele então deflagrou o processo. Se o PT continuasse na linha de apoiar o presidente da Câmara, seria um aliado da presidente".
Quanto à sua prisão, Temer disse que foi o maior golpe da vida dele por causa da falta de razoabilidade. "Fizeram o que naquele dia? Avisaram a imprensa primeiro e depois chegou a força policial para pegar um cidadão que não tinha nenhum perigo. Os delegados estavam constrangidos com aquela situação. Três dias depois o desembargador do Rio de Janeiro deu a liminar para me liberar. Vi também a solidariedade que tive até da Academia Brasileira de Letras. Uma solidariedade que me comoveu".
O ex-presidente disse ainda que se sente injustiçado. "Efetivamente, houve uma campanha dirigida, principalmente de um setor específico da comunicação que nunca consertou a bobagem que fez, nunca se retificou. Não se conformou e fez ainda uma campanha, 10 horas por dia, para falar mal de mim, para me afastar", numa alusão à TV Globo sem citá-la. A íntegra da live está nas postagens do Instagram do blog no endereço @blogdomagno.