Coluna da quinta-feira: Raquel Lyra: a mulher que Pernambuco quis e que é uma das apostas de um novo rumo para o PSDB
Foto: Divulgação
Desde a Proclamação da República, de 1889 até 2022, Pernambuco teve 57 governadores. Destes 57, nunca uma mulher havia ocupado o comando do Palácio do Campo das Princesas, sede do Poder Executivo Estadual, até a chegada da atual governadora Raquel Lyra (PSDB), empossada no último dia 1º de janeiro. Os primeiros dias de sua administração foram marcados por fatos que apontam para um novo momento no estado e as atenções se voltam para cada decisão tomada pela mulher que Pernambuco quis.
Fruto de uma família tradicional na política pernambucana, Raquel mantém parentesco com figuras proeminentes no cenário da política estadual e nacional. Seu tio, Fernando Lyra foi deputado estadual e federal, bem como, ocupou o cargo de Ministro da Justiça do Brasil em meados da década de 80. O seu pai, João Lyra Neto foi prefeito de Caruaru, deputado estadual, vice-governador e Governador de Pernambuco. É bem verdade, que Raquel percorreu um caminho semelhante ao do pai, sendo deputada estadual por dois mandatos e prefeita de Caruaru, onde foi eleita e reeleita e pôde se projetar politicamente para Pernambuco e o Brasil.
Apesar das raízes profundas de sua família na história de Pernambuco, Raquel soube se reinventar e criar uma plataforma política sintonizada com os novos tempos. Advogada, delegada da Polícia Federal e Procuradora do Estado de Pernambuco, Raquel tem buscado provar ao eleitor que o seu currículo tem muito mais que apenas um sobrenome de peso. Nas últimas eleições, explorando os feitos como a primeira mulher a administrar a “Capital do Forró”, Raquel assumiu o desafio de disputar o Governo de Pernambuco na busca de se tornar a primeira mulher a governar o "Leão do Norte".
Em uma campanha histórica e acirrada, marcada pelo grande número de candidatos ao Governo do Estado, Raquel soube superar as limitações impostas pela campanha e até mesmo enfrentar a morte do seu esposo, Fernando Lucena, justamente no dia da eleição. Em um inédito segundo turno disputado por duas mulheres, o desempenho de Raquel Lyra nos debates contra a sua adversária Marília Arraes (Solidariedade) e o grande número de apoios de diversas forças políticas espalhadas pelo estado, fez com que a tucana alcançasse a marca de 58,70% dos votos válidos e fosse a grande vitoriosa do pleito.
Agora empossada e dando os primeiros passos de seu governo, Raquel enfrenta a resistência e o natural estranhamento diante das rupturas provocadas pela transição de um novo governo após a administração de 16 anos do PSB em Pernambuco. Já nos primeiros dias, a governadora buscou dar sinais claros que o Governo do Estado deverá caminhar por um novo caminho e com um novo ritmo, conquistou a aprovação de uma Reforma Administrativa e de um Plano de Qualidade de Gasto Público, bem como, formou um governo composto por 52% de mulheres em cargos de comando.
A decisão de não abrir espaços para políticos de carreira no secretariado do seu governo, optando por nomes quase exclusivamente técnicos, é vista com ressalvas por parte da classe política. Assim como foi quando prefeita de Caruaru, nestes primeiros dias no comando do Governo do Estado, a tucana dá claros sinais de que não pretende mudar sua forma de atuação e isso levanta dúvidas sobre como a sua administração e sua estrutura política irão resistir nos próximos meses.
Além de apresentar resultados concretos à frente do Governo de Pernambuco, Raquel tem também o desafio de liderar o seu partido, o PSDB, do qual é presidente estadual. Apesar de ter ampliado a sua bancada de deputados estaduais, a legenda ainda possui uma tímida presença nas prefeituras e câmara de vereadores em Pernambuco e a garantia do fortalecimento político de Raquel Lyra perpassa pelos resultados eleitorais que a mesma deverá colher nas eleições municipais de 2024.
Vivendo um período difícil, o PSDB conquistou a vitória de Raquel Lyra, e dos governadores Eduardo Leite (RS) e de Eduardo Riedel (MS) e aposta que esses nomes podem representar um novo oxigênio para a legenda. Com uma carreira política em clara ascensão, Raquel tem o olhar atento das forças políticas e até mesmo do seu próprio partido, que enxerga na governadora uma verdadeira promessa, inclusive para tocar projetos futuros e ocupar espaços de maior importância no cenário nacional.
Curtinhas
Sancionado: A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, sancionou nesta quarta-feira (18), a Lei da Reforma Administrativa, permitindo ao novo governo a composição de uma nova estrutura. O texto foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe), em duas sessões, na última terça-feira, com os votos favoráveis de 39 deputados estaduais. A lei estadual n° 18.139, de 18 de janeiro de 2023, faz alterações na estrutura governamental para atender áreas estratégicas da administração estadual, como Recursos Hídricos, Saneamento, Transformação Digital e Desenvolvimento Metropolitano.
Federalização: O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse em entrevista à coluna que o governo estuda uma federalização parcial das forças de segurança do Distrito Federal ou a criação de uma Guarda Nacional que seja responsável por proteger a zona cívica, onde estão os órgãos federais e sedes dos Três Poderes.
Prioridade: O presidente do Senado e candidato à reeleição, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), priorizará projetos do pacote econômico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e medidas relacionadas à punição e prevenção de atos extremistas contra as instituições –como os registrados no 8 de Janeiro.