Por mais investimento público

Recentemente escrevi que o Covid-19 desnudou a ortodoxia dos liberais brasileiro. Os liberais brasileiros detestam fazer política que sejam confundida com política mais a esquerda. Resultado, o caos se instalou na sociedade, aprofundou a crise sanitária que por consequência aprofundou a crise na economia. Os dois setores, saúde e economia, são muito sensíveis, não permitem erros nem atrasos nas decisões.


No caso da crise sanitária, o governo central, negligenciou, de forma absurda, a pandemia, deixando a sociedade entregue a própria sorte, desde do inicio no meado de março, usou um discurso negacionista e genocida, de que era uma “gripezinha” e que “mais de 70% da população ira se contaminar, lamento mais não posso fazer nada”, além de boicotar o trabalho dos dois Ministros da Saúde. Isto fez com que perdêssemos tempo com debates marginais, enquanto o mundo estava se preparando para enfrentar a crise. O resultado foi que o Brasil chegou tarde nas compras de respiradores, testes para diagnosticar o Covid-19 e outros produtos de combate a pandemia. Resultando, em três meses 26 mil mortos.


No campo econômico as coisa foram mais graves ainda. Do lado dos trabalhadores, retardou a ajuda financeira a população que mais precisava, fez um discurso divisionista, ao mesmo tempo que o dinheiro não chegava, dizia que as pessoas tinha que trabalha, que as pessoas iriam morre de fome. Este discurso dificultou a estratégia da orientação da OMS e outros organismos Multilaterais de atuação na área de saúde, que no momento de incerteza e de desconhecimento do vírus o melhor remédio era o isolamentos social.


Do lado das pessoas jurídicas, a falta de uma politica de ajuda as micros e pequenas empresas, devastou a base da economia. Muitas dessas empresas sumirão do mapa e outras terão muitas dificuldades de voltar a funcionar. Conforme dados, são estas micro e pequenas empresa que empregam mais de 70% da mão de obra no Brasil. Agora já se sabe que o entendimento da equipe econômica é de desprezo por esta demanda empresarial, na fala do Ministro da Economia, na horrorosa reunião ministerial – “… primeiro vamos ganhar muito dinheiro com as grandes empresas, e vamos perde muito com as pequenas…”. Foi o que aconteceu na prática, os micros e pequenos empresários estão sem créditos para minimamente manter suas empresas funcionando e poder pagar sua folha de pagamento, que já daria um grande alivio na pressão pelo recurso emergencial.


Diante deste quadro preocupante, o Ministro Paulo Guedes ataca com um discurso fora da lógica momentânea, ainda insiste em um ajuste fiscal impossível de ser realizado no momento. A insistência no controle fiscal neste momento é de uma perversidade patológica.


Neste momento, o principal fator de desequilíbrio fiscal é a recessão, derrubando as receitas ficais. Não tem como obter nenhum equilíbrio fiscal com a manutenção da recessão e da pandemia. Hoje, 29/05, o IBGE divulgou o PIB do primeiro trimestre de 2020, quenda de 1,5%, levando em consideração que a pandemia iniciou no meado de março, significa dizer que o segundo trimestre a queda será ainda maior.


Colocar o debate do ajuste fiscal num momento de pandemia é simplesmente para justificar o atraso da ajuda aos Estados e Municípios, bem com, no repasse da ajuda emergencial a população que mais precisar. Com relação aos Estados e Municípios, só no dia 27/05, que o Presidente sancionou a Lei de ajuda de 60 bilhões há mais de três meses da crise sanitária, em meio a uma abrupta queda na arrecadação.


O desafio agora é pressionar o governo em abandonar momentaneamente esta agenda fiscalista e aumentar os gastos público, sob pena de retardar a retomada da atividade econômica por mais tempo.


Joeides Pereira da Paz

É Economista

Articulista Econômico do Economia PE