Opinião por Marília Ferraz
Já tive a oportunidade de escrever um outro artigo onde expus minha opinião sobre quem realmente representa a direita e os bolsonaristas em Pernambuco. Recebi inúmeras mensagens concordando com a minha análise e acerca de tudo que escrevi. E por que volto agora ao tema? Porque estive recentemente em Brasília e lá conversei com diversos atores da cena política pernambucana, e um deles, que tem muita proximidade com os pré-candidatos à majoritária em nosso estado, me confidenciou que já está bem costurada uma aliança entre o Ministro do Turismo, Gilson Machado e a Deputada Estadual Clarissa Tércio. Também segundo essa pessoa, Gilson e Clarissa estão convencidos que têm a obrigação de criar uma chapa que abrigue os candidatos da proporcional que são, de fato bolsonaristas, e que podem aglutinar os votos da base do Presidente da República, sem causar a dispersão destes votos com os oportunistas de plantão. Como se diz por essas bandas: os dois “não abrem nem para um trem carregado de pólvora com um doido fumando em cima”. Na mesma conversa, fiquei sabendo que a certeza da existência dessa frente tem tirado o sono dos demais pré-candidatos. Eles sabem que, pelo histórico de seus gestos políticos, não será fácil conquistar a massa bolsonarista que apoia a reeleição do presidente e que é fiel a Bolsonaro. Além disso, a militância teme que se repita o que aconteceu em 2018, quando foram eleitos governadores, senadores, deputados federais e estaduais, e que logo depois traíram a confiança do líder que os ajudou a se eleger.
A aliança entre Clarissa Tércio e Gilson Machado, chega a ser uma exigência dessa militância, que enxerga nos dois, os únicos realmente fieis ao Presidente. E não é por acaso. Basta voltar um pouco no tempo para encontrarmos Anderson de braços dados com a petista Marília Arraes, declarando voto nela no segundo turno das eleições para Prefeitura do Recife, em 2020. Mas se você não quiser ir tão longe, basta dar um Google com os nomes “Anderson Ferreira e Raquel Lyra” e já vai ter a chance de ler várias matérias publicadas recentemente sobre a aliança entre Anderson e a tucana. Anderson virar bolsonarista agora é coisa de oportunista. Chega a dar náuseas em quem tem em Jair Bolsonaro sua liderança maior.
Já o Prefeito de Petrolina, e filho do senador Fernando Bezerra Coelho, tem evitado falar no nome de Bolsonaro em seus discursos. No máximo cita o Governo Federal, quando deste recebe verbas. Recentemente foi vaiado em evento que teve a presença de apoiadores do Presidente. Miguel fala em “palanque aberto” como se fosse possível servir a dois ou três senhores. Ele, que quer o voto do bolsonarista, tem o irmão, Deputado Federal Fernando Filho, que voltou contra o voto impresso e auditável. E pra fechar a questão, o Presidente do União Brasil, partido de Miguel Coelho, é nada mais, nada menos, que Luciano Bivar. Dizem que o brasileiro tem a memória curta, mas não acredito que seja tanto assim. Bivar foi o líder de uma rebelião contra Bolsonaro dentro do PSL. Esse mesmo Bivar fez tratativas com o Mandetta para que este fosse candidato a presidência da república. E agora que o ex-ministro da saúde declinou, o Moro é a menina dos olhos de Luciano. Preciso dizer mais alguma coisa?
Miguel e Anderson só são bolsonaristas em Brasília, quando estão na capital do país em busca de verbas do governo federal. Mas quando estão em Pernambuco esquecem de onde veio o dinheiro público que financiou suas obras. Esquecem mesmo do Presidente, até se ele estiver no estado. Alguém viu um dos dois na Motociata? E em Sertânia, durante a última visita de Bolsonaro a Pernambuco? Já aconteceu do filho do líder do governo, FBC, estar numa cidade vizinha a que o presidente estava, mas lá ele não pisou. Pois é! A gente pode ter desculpas ou atitude. Ter os dois não dá. E quando Bolsonaro está em Pernambuco, de Anderson e Miguel a gente só tem desculpas.
Então para evitar rever a parte ruim do filme que assistimos nas eleições de 2018, a direita pernambucana tem de ser mesmo muito criteriosa e não dar “asas a cobra”.
Eu tenho a certeza que Gilson Machado e Clarissa Tércio é a única alternativa no enfrentamento à chapa do PSB(Aliás, a Clarissa ganhou de lavada uma enquete realizada por este blog no Instagram, que questionou quem seria a maior liderança evangélica conservadora do nosso estado). Se seguirmos por outros caminhos, estaremos fazendo um grande plantio de melancias. E daquelas bem vermelhinhas por dentro.
Eu sou Marília Ferraz e essa é a minha opinião!
Marília Ferraz é advogada e observadora da política pernambucana.