Coluna: como um partido que não consegue organizar uma eleição interna quer comandar o Brasil?
Uma bagunça. Assim foi as prévias do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), realizada neste domingo (21). O pleito que decidiria quem seria o indicado da sigla para concorrer ao cargo de presidente da república acabou se transformando em um vexame.
Com um processo classificado como renovador e que, claramente, representa um avanço institucional na estrutura partidária brasileira, o PSDB viu sucessivas falhas atrapalharem a sua prévia. Disputam as prévias tucanas o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; e o governador de São Paulo, João Doria.
A votação teve início às 7h e estava prevista para acabar às 15h. No entanto, durante a manhã, devido a problemas na plataforma, a sigla chegou a prolongar a votação até às 18h. Já às 18h, ainda com instabilidades no aplicativo (APP), o pleito foi pausado e não tem data para ser retomado. Após reunião entre os candidatos, ficou decidido que as urnas seriam lacradas até essa “nova data”.
A completa desorganização em um ato que tinha a possibilidade de marcar a história da democracia partidária no Brasil escancarou um PSDB dividido e cada dia mais fragilizado. O partido que, até 2014, polarizava com o Partido dos Trabalhadores (PT) em um segundo turno acirrado ver sua base de eleitores migrar para outras legendas.
Com todos esses problemas, a pergunta que fica é a seguinte: como um partido que não consegue gerir uma eleição interna, apenas com membros filiados, quer dizer que tem condições para administrar o Brasil em meio a uma crise econômica deixada pela pandemia da covid-19?
A mesma pergunta também pode ser feita para Pernambuco, já que o presidente nacional do partido é o ex-deputado federal e ex-ministro das Cidades, Bruno Araújo. No Estado, o PSDB deve lançar o nome da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, para a disputa de uma vaga no Palácio do Campo das Princesas.
Nas prévias, Bruno Araújo sustentava que tudo iria dar certo, que correções haviam sido feitas no APP a partir de fragilidades apontadas. Porém, não foi isso que vimos e o vexame veio com a instabilidade no sistema.
Vitória do partido - Pouco antes de toda a confusão na votação das prévias, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), havia afirmado, em entrevista ao Blog do Alberes Xavier, que independe do escolhido “a vitória será do PSDB”.
Deputada de saída - A deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC) protagonizou uma confusão durante as prévias do PSDB. Quando estava na fila de votação, a parlamentar brigou com o presidente do PSDB do Acre, Manoel Pedro de Souza Gomes, e anunciou que sairá da legenda e apoiará a reeleição do presidente Jair Bolsonaro.
Parceria - Em mais uma parceria com outras instituições em prol dos pernambucanos, a Assembleia Legislativa de Pernambuco firmou com o Ministério Público estadual um termo de cooperação para implantar, na Alepe, o projeto “orelhão digital”.
Aniversário - Esse domingo (21) foi aniversário do vereador do Recife, Hélio Guabiraba. O parlamentar foi reeleito em 2020 como o 7° mais votado da capital pernambucana, com 10.393 recifenses.
PL sem Bolsonaro - O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, dará carta branca para que os partidos nos estados façam aliança com outras siglas, incluindo o PT. Com isso, a ida do presidente Jair Bolsonaro para a legenda deve ficar apenas na promessa.